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terça-feira, 14 de maio de 2013

BIOGRAFIA QUE VALE A PENA: Albert Schweitzer

É um homem grande, 1,90 m de altura;
obviamente, um homem forte. Seus cabelos castanhosjá estão grisalhos. E tem um grande bigode. Seus olhos profundos são azuis e bondosos. E o seu piscar revela humor. Um veadinho se esfrega nele pedindo carinho e
sua mão grande deixa a caneta sobre a mesa e
delicadamente agrada o bichinho...

Nasceu em 1875, numa aldeia da Alsácia, filho de
um pastor protestante. Desde muito cedo ficou claro que
ele era diferente. Sua sensibilidade para a música
chegava à dor. 
Ele mesmo conta que, na primeira vez
em que ouviu duas vozes cantando em dueto - ele era
muito pequeno ainda -, teve de se encostar na parede
para não cair. Em outra ocasião, ouvindo pela primeira
vez um conjunto de metais, ele quase desmaiou por
excesso de prazer. 

Com cinco anos começou a tocar
piano. Mas logo se apaixonou pelo órgão de tubos da
igreja na qual o seu pai era pastor. Aos nove anos já era
o organista oficial da igreja, e tocava para os serviços religiosos.

Sentimento amoroso idêntico lhe provocavam os
animais. Ele relata que, mesmo antes de ir para a
escola, lhe era incompreensível o fato de que nas
orações da noite que sua mãe orava com ele apenas os
seres humanos fossem mencionados.
Assim, quando minha mãe terminava as orações e
me beijava, eu orava silenciosamente uma oração que
compus para todas as criaturas vivas: "Oh, Pai celeste,
protege e abençoa todas as coisas que vivem; guarda-
as do mal e faz com que elas repousem em paz." 
O nome desse jovem era Albert Schweitzer.
Doutorou-se em música, tornou-se o maior intérprete de
Bach da Europa, dando concertos continuamente.
Doutorou-se em teologia e escreveu um dos mais
importantes livros de teologia deste século. Doutorou-se
também em filosofia, e era professor na universidade de
Estrasburgo, sendo também pastor e pregador.
Schweitzer tinha tudo aquilo que uma pessoa
normal poderia desejar. Ele era reconhecido por todos.
Mas havia uma frase de Jesus que o seguia sempre: "A
quem muito se lhe deu, muito se lhe pedirá." E, aos
vinte anos, ele fez um trato com Deus. Até os trinta anos
ele iria fazer tudo aquilo que lhe dava prazer: daria
concertos, falaria sobre literatura, sobre teologia, sobre
filosofia. 
Aos trinta anos ele iniciaria um novo caminho.
E foi o que ele fez. Aos trinta anos entrou para a escola
de medicina, doutorou-se, e mudou-se para a África,
para tratar de uns pobres homens atacados pelas
doenças e abandonados. E lá passou o resto de sua
vida.
É preciso entender que Schweitzer não era só um
médico curando doentes. Ele não se conformaria com
isso. 
Dentro dele viviam a música, a filosofia, o
misticismo, a ética. Schweitzer sabia que somente o
pensamento muda as pessoas...
Extraído do livro: O amor que apaga a lua de Rubem Alves

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